O Governo está a desenvolver diligências diplomáticas para assegurar o repatriamento de 14 cidadãos nacionais que se encontram na República Centro-Africana, alegadamente vítimas de tráfico humano após terem sido recrutados com promessas de emprego numa mina daquele país, informou esta terça-feira, 16 de Junho, a agência Lusa.
A situação foi analisada pelo Conselho de Ministros, que manifestou preocupação com o caso e confirmou que os cidadãos se encontram actualmente na província de Mbrès, no centro da República Centro-Africana.
Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, as informações recolhidas pelas autoridades moçambicanas indicam que os trabalhadores viajaram para aquele país africano durante o mês de Maio na expectativa de obter emprego remunerado no sector mineiro.
Contudo, dados preliminares apontam para a retenção de passaportes de pelo menos 11 dos 14 cidadãos por parte dos alegados empregadores, uma situação frequentemente associada a práticas de exploração laboral e tráfico humano.
Perante o caso, o Governo moçambicano está a manter contactos com as autoridades centro-africanas e com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), visando criar condições para o regresso seguro dos cidadãos ao País.
Salim Valá aproveitou a ocasião para alertar os moçambicanos sobre os riscos associados a falsas promessas de emprego no exterior.
“É uma oportunidade para chamar a atenção aos nossos concidadãos para terem cuidado com esta situação de aliciamento para irem para fora do País para empregos estáveis, bem remunerados, mas que muitas vezes depois resvalam para este tipo de situações”, afirmou.
O caso surge num contexto em que as autoridades continuam a demonstrar preocupação com o fenómeno do tráfico humano e da migração laboral irregular.
A procuradora-geral adjunta, Amabélia Chuquela, já havia reconhecido dificuldades na investigação deste tipo de crimes, apontando a crescente sofisticação das redes envolvidas.
Apesar da percepção de que o fenómeno pode ser mais amplo, as autoridades registaram oficialmente cinco casos de tráfico humano durante o último ano.
Em Agosto de 2025, o Governo reforçou os mecanismos de prevenção, apelando aos cidadãos para submeterem previamente às autoridades laborais todas as propostas de emprego provenientes do exterior, permitindo a verificação da sua autenticidade.
A medida visa reduzir situações de fraude, exploração laboral e tráfico humano envolvendo cidadãos moçambicanos atraídos por falsas oportunidades de trabalho fora do País.
