Os dados constantes do Purchasing Managers Index™ (PMI) do Standard Bank avançam que a produção das empresas moçambicanas recuou em Abril, passando a terreno negativo, num contexto de procura “mais fraca” e escassez de abastecimento de combustíveis.
“Moçambique registou uma deterioração das condições empresariais pela primeira vez em sete meses, devido à quebra nas vendas, à escassez de combustível e a outros constrangimentos no abastecimento, factores que levaram as empresas nacionais a reduzir os seus níveis de actividade”, refere o estudo citado pela Lusa.
Segundo o documento, “a contracção da produção contribuiu para uma segunda queda mensal consecutiva nas aquisições de factores de produção, o que, por sua vez, proporcionou algum alívio nos custos suportados pelas empresas. Ainda assim, as pressões salariais intensificaram-se, numa altura em que prosseguiram os esforços de recrutamento”.
O relatório destaca ainda que a produção registou, em Abril, uma contracção pela primeira vez desde Junho de 2025. A procura por parte dos clientes abrandou, levando a uma redução das novas encomendas, enquanto os prazos de entrega aumentaram devido à escassez de combustível.
O índice PMI tinha subido de 49,1 em Junho de 2025 para terreno positivo em Julho, situando-se nos 50,7, mas em Agosto voltou a cair para valores negativos, 49,9, e em Setembro para 49,4, recuperando em Outubro para 50,4 pontos, em Novembro para 50,8 e em Dezembro para 50,9. Contudo, em Janeiro inverteu o crescimento ao descer para 50 e em Fevereiro voltou a recuperar, subindo para 50,2, mantendo-se no mesmo valor em Março e recuando para 49,8 pontos em Abril.
Indicadores do PMI acima dos 50 pontos apontam para uma melhoria das condições empresariais face ao mês anterior, enquanto valores abaixo desse nível sinalizam deterioração da actividade.
De acordo com o relatório, os participantes do painel associaram o abrandamento registado em Abril à redução do poder de compra dos consumidores, à escassez de materiais e combustíveis, bem como a perturbações operacionais. As empresas reportaram igualmente uma diminuição das novas encomendas, num contexto marcado pela fragilidade das condições de mercado e pela redução da procura.
“Embora relativamente moderada, a queda das novas encomendas foi a mais acentuada dos últimos dez meses. Segundo vários membros do painel, a escassez de combustível provocada pela guerra no Médio Oriente originou atrasos nas entregas de factores de produção. Como consequência, o desempenho dos fornecedores deteriorou-se pela primeira vez desde Fevereiro de 2025, ainda que de forma ligeira”, refere o estudo.
Citado no relatório, o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, afirmou que, apesar dos impactos negativos associados à situação no Médio Oriente e às perturbações no abastecimento de combustíveis a nível interno, o PMI de Abril “sinaliza uma melhoria do sentimento empresarial”. Ainda assim, alertou que o actual choque negativo na oferta de combustíveis aumenta o risco económico de Moçambique, num contexto em que a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) poderá ficar abaixo da estimativa do banco, de 1,1% para 2026.
“Prevemos uma contracção do PIB no segundo trimestre de 2026, tendo em conta o impacto da paralisação da Mozal em meados de Março, após a empresa não ter conseguido renovar o contrato de fornecimento de electricidade. Em 2025, a Mozal representava 15% das exportações de bens e serviços, 2% da oferta de moeda externa e mais de 3% do PIB”, concluiu o economista.

