Moçambique registou, em 2025, um total de 4639 denúncias de operações suspeitas de financiamento ao terrorismo e branqueamento de capitais, avaliadas em 764 milhões de euros. Os casos foram comunicados por vários sectores de actividade, incluindo o imobiliário, financeiro, segurador e jogos, bem como a compra e venda de metais e pedras preciosas.
Os dados foram avançados em Maputo, à margem da celebração do Dia Internacional das Unidades de Informação Financeira, assinalado a 9 de Junho, pelo porta-voz do evento, Paulo Munguambe. Segundo explicou, os números referem-se às actividades de 2025 no âmbito do combate ao crime financeiro, incluindo o financiamento ao terrorismo e o branqueamento de capitais.
“Estamos a falar de suspeitas apenas, em que foram identificadas e estimado um valor de 764 milhões de euros”, disse Paulo Munguambe. O responsável esclareceu que o montante resulta exclusivamente de comunicações de operações consideradas suspeitas pelas entidades abrangidas.
Segundo o responsável, as 4639 comunicações envolveram os sectores imobiliário, de jogos, de compra e venda de metais e pedras preciosas, além dos sectores segurador e financeiro. Neste último grupo estão incluídos os bancos, instituições de microfinanças, microcrédito e operadores de moeda electrónica.
Na abertura do evento, a secretária permanente do Ministério das Finanças, Albertina Fruquia, defendeu o reforço da partilha de informação entre instituições. Considerou igualmente que a coordenação institucional e a confiança mútua entre os diversos actores nacionais e internacionais são elementos indispensáveis para o fortalecimento das instituições financeiras.
Em Abril deste ano, o administrador do Banco de Moçambique, Jamal Ormar, afirmou que o combate ao branqueamento de capitais exige leis adequadas, cooperação entre instituições e cidadãos vigilantes e comprometidos. O responsável alertou ainda para a necessidade de o País continuar fora da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), da qual foi retirado a 24 de Outubro do ano passado.
Durante a abertura de um ‘workshop’ realizado em Maputo, Jamal Ormar sublinhou que o combate ao branqueamento de capitais se tornou uma prioridade mundial nas últimas décadas. “O crime já não é apenas um problema isolado ou meramente técnico, mas uma ameaça ao Estado de direito, à estabilidade financeira, ao ambiente de negócios e à confiança nas instituições”, afirmou.
Recentemente, o Governo aprovou a Estratégia de Sustentabilidade do Sistema Nacional de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais, Financiamento do Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição em Massa (2026-30), destinada a garantir a conformidade e a efectividade dos padrões exigidos pelo GAFI no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo.
Fonte: Lusa

