O assassinato de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira, está a provocar forte comoção nacional e internacional, com reacções do Vaticano, da União Europeia e dos Estados Unidos da América, que apelam ao rápido esclarecimento do crime e à responsabilização dos seus autores.
Segundo a Vatican News, o Papa Leão XIV recebeu “com pesar” a notícia do “grave acto de violência” que causou a morte do prelado moçambicano. A reacção foi transmitida pelo director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, através do canal Telegram do Vaticano.
“O Papa Leão XIV tomou conhecimento com pesar do grave acto de violência que causou a morte de Sua Excelência, Dom Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira, e une-se em oração ao povo da diocese e de Moçambique neste momento de desorientação”, refere a mensagem divulgada pela Santa Sé.
Na mesma comunicação, o Pontífice pediu ainda que Deus conceda consolo à comunidade católica e ao povo moçambicano, apelando para que seja travada a violência. A mensagem surge num momento de profunda consternação na Igreja Católica em Moçambique, onde Dom Osório Citora Afonso desempenhava também as funções de secretário-geral da Conferência Episcopal de Moçambique.
O bispo foi encontrado morto no sábado, 6 de Junho, nas instalações da residência episcopal de Quelimane. De acordo com informações divulgadas pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, citadas pela Vatican News, Dom Osório terá sido atingido por vários disparos na zona do peito e do coração, não tendo resistido aos ferimentos. As motivações do crime permanecem desconhecidas e estão sob investigação.
A morte do prelado levou também a União Europeia, os seus Estados-Membros e os Estados Unidos da América a manifestarem consternação e a exigirem uma investigação rigorosa, transparente e célere. Em comunicado, os representantes diplomáticos expressaram condolências à Igreja Católica, à Diocese de Quelimane, à Conferência Episcopal e ao povo moçambicano.
A União Europeia classificou a morte de Dom Osório como uma “perda profunda para a comunidade católica e para a sociedade moçambicana”, defendendo que as autoridades nacionais devem assegurar que os responsáveis sejam identificados e levados à justiça.
Também a Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique manifestou pesar pela morte do bispo, destacando o seu legado de serviço às comunidades moçambicanas. Washington reconheceu os esforços já anunciados pelas autoridades nacionais para esclarecer o caso, mas reforçou a importância de uma investigação exaustiva, transparente e orientada para a responsabilização.
A Conferência Episcopal de Moçambique, através do seu presidente, Dom Inácio Saúre, Arcebispo de Nampula, apelou à fé e à solidariedade fraterna neste momento de dor. Dom Osório Citora Afonso era uma das figuras de maior destaque da Igreja Católica moçambicana e, entre 2017 e 2023, trabalhou no Dicastério para a Evangelização, no Vaticano.
O Presidente da República, Daniel Chapo, também manifestou profundo pesar pela morte do prelado, considerando-a uma perda irreparável não apenas para a comunidade cristã, mas para toda a sociedade moçambicana.
O caso assume, assim, uma dimensão que ultrapassa o plano religioso e criminal, colocando pressão sobre as autoridades moçambicanas para que esclareçam rapidamente as circunstâncias da morte de Dom Osório Citora Afonso. Para a Igreja, para os fiéis e para a comunidade internacional, a exigência central é a mesma: verdade, justiça e responsabilização.

