As autoridades de saúde registaram uma redução significativa nas mortes por tuberculose na última década, mas a doença continua a provocar cerca de 14 mil óbitos por ano, mantendo-se como um dos principais desafios de saúde pública no País, informou a agência Lusa.
Dados oficiais indicam que, em 2025, foram identificados mais de 106 mil casos de tuberculose em todo o território nacional, com maior incidência nas províncias de Nampula e Zambézia, embora o peso da doença seja mais acentuado no sul, nomeadamente em Inhambane e Gaza.
As informações foram avançadas em Maputo por Benedita Manuel, durante uma palestra alusiva ao Dia Mundial da Tuberculose.
Benedita Manuel explicou que, apesar de o número de mortes ter diminuído cerca de 41% em comparação com 2015, ano em que se registaram aproximadamente 40 mil óbitos, a tuberculose continua a representar uma ameaça relevante à saúde pública.
A responsável atribuiu os progressos alcançados ao reforço do sistema de saúde, com melhorias na capacidade de diagnóstico e tratamento, bem como à identificação mais rápida dos pacientes.
Ainda assim, Benedita Manuel apontou desafios persistentes, com destaque para a resistência ao tratamento e o estigma social associado à doença, sobretudo em algumas comunidades.
Segundo a responsável, “crenças culturais e mitos continuam a influenciar negativamente a procura por cuidados de saúde, atrasando o diagnóstico e comprometendo o tratamento adequado”.
Na mesma ocasião, o ministro da Saúde, Ussene Isse, reconheceu que o combate à tuberculose exige uma abordagem colectiva, envolvendo diferentes sectores e actores da sociedade.
Ussene Isse sublinhou que “Moçambique continua entre os países mais afectados pela doença, incluindo nas suas formas mais complexas, como a tuberculose associada ao VIH e a tuberculose multirresistente”.
Apesar da taxa de sucesso do tratamento ultrapassar os 90%, o governante alertou que “o número de casos ainda por diagnosticar e tratar continua elevado, o que limita os avanços no controlo da doença”.
Dados da Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP) indicam que cerca de 17 400 pessoas ficam sem diagnóstico de tuberculose todos os anos em Moçambique, evidenciando dificuldades no acesso aos serviços de saúde.
A organização acrescenta que a doença continua a ser uma das principais causas de morte no País, sobretudo entre pessoas que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana, reforçando a necessidade de intensificar as acções de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Num contexto em que se registam avanços, mas também desafios estruturais, as autoridades de saúde defendem o reforço das estratégias de combate à tuberculose, com enfoque na sensibilização comunitária, redução do estigma e melhoria do acesso aos cuidados médicos em todo o território nacional.

