O Governo e a Equipa Europa anunciaram esta quarta-feira (20), em Maputo, durante a 2.ª edição do Diálogo Político de Alto Nível sobre o Pacto Ecológico, o reforço da cooperação para acelerar a transição verde e reforçar a resiliência climática do País, numa iniciativa avaliada em cerca de 1,2 mil milhões de euros até 2027. O financiamento será aplicado sobretudo nos sectores da energia renovável e da protecção da biodiversidade.
Durante a abertura do encontro, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, afirmou que Moçambique está a rever instrumentos estratégicos fundamentais para adaptar as políticas públicas aos novos desafios ambientais e económicos. Segundo o governante, o País enfrenta impactos cada vez mais severos provocados por ciclones, secas e cheias, situação que continua a afectar a economia nacional e as comunidades.
“É nossa missão transformar esta vulnerabilidade em oportunidades que beneficiem o País e as comunidades”, declarou Roberto Albino. O ministro sublinhou ainda que a transição energética continua entre as principais prioridades do Governo, destacando medidas já em curso, como a massificação do uso do gás doméstico e a expansão da energia solar.
O responsável acrescentou que Moçambique aprovou, em 2025, a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-2034, instrumento que visa mobilizar recursos para reforçar a resiliência da economia nacional e incentivar acções de mitigação das alterações climáticas.
Roberto Albino explicou igualmente que o País está a actualizar a Contribuição Nacionalmente Determinada, a Estratégia Nacional de Adaptação e Mitigação das Alterações Climáticas e outros instrumentos ligados à biodiversidade, à economia azul e à transição energética justa.
“Queremos mobilizar investimentos para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. A adaptação continua a ser a nossa principal prioridade climática”, frisou o dirigente.
Por sua vez, o embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, defendeu que o País reúne condições estratégicas para desenvolver uma economia verde competitiva.
“O potencial de Moçambique em energias renováveis, biodiversidade, florestas, ecossistemas marinhos e recursos agrícolas representa um conjunto extraordinário de activos estratégicos para o futuro”, afirmou o diplomata europeu.
“É nossa missão transformar esta vulnerabilidade em oportunidades que beneficiem o País e as comunidades”
Roberto Albino
Antonino Maggiore considerou ainda que os temas debatidos durante o encontro estão interligados, sobretudo nas áreas do financiamento climático, da transição energética e da conservação da biodiversidade. Segundo explicou, a protecção do capital natural contribui igualmente para reforçar a segurança alimentar, os meios de subsistência das comunidades rurais e a estabilidade económica a longo prazo.
De acordo com os dados apresentados durante o diálogo, a Iniciativa Equipa Europa – Pacto Ecológico para Moçambique prevê mobilizar cerca de 1,05 mil milhões de euros para o sector energético e outros 150 milhões de euros para a protecção da biodiversidade, através de investimentos, assistência técnica, empréstimos e garantias financeiras até 2027.
O encontro serviu também para reforçar a preparação do Fórum Global Gateway União Europeia-Moçambique, agendado para Junho próximo, além de identificar novas oportunidades de cooperação entre as partes.
“A Equipa Europa permanece firmemente comprometida em trabalhar ao lado de Moçambique, num espírito de parceria e ambição comum”, concluiu Antonino Maggiore, reiterando o apoio europeu à construção de um Moçambique mais resiliente, sustentável e inclusivo.
Texto: Florença Nhabinde

