A presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, assegurou que o Parlamento continuará a aprovar leis e políticas que integrem a perspectiva de género na gestão de riscos e desastres naturais, defendendo uma maior participação das mulheres nos processos de decisão e na definição de respostas aos desafios climáticos.
Intervindo durante a abertura da 2.ª Conferência de Mulheres Religiosas, Académicas, Políticas e da Sociedade Civil, Talapa reafirmou o compromisso da Assembleia da República com a promoção da igualdade de género, sublinhando que o papel da mulher é central na prevenção, mitigação e resposta a situações de emergência.
Citada pela Agência de Informação de Moçambique, a responsável avançou que, embora as mulheres sejam frequentemente as mais afectadas pelas calamidades, são também agentes activas de mudança, líderes resilientes e construtoras de soluções, razão pela qual o seu envolvimento deve ser reforçado em todos os níveis de tomada de decisão.
A dirigente destacou o papel das mulheres religiosas em momentos de crise, considerando que são muitas vezes fonte de conforto espiritual, mobilização comunitária e promoção de valores de resiliência e solidariedade junto das populações afectadas.
Margarida Talapa sublinhou igualmente o contributo das mulheres académicas na produção de conhecimento científico e inovação, essenciais para compreender riscos, prevenir desastres e formular políticas públicas mais eficazes, sustentáveis e orientadas por evidências.
Já as mulheres activas na política e na sociedade civil, acrescentou, desempenham papel determinante na transformação de necessidades em acções concretas, sobretudo pela sua proximidade com as comunidades e pela capacidade de resposta em situações de emergência.
Um relatório do Banco Mundial, publicado em 2024, sobre avaliação de género, constatou que os conflitos, as alterações climáticas e os desastres naturais continuam a colocar desafios ao País, sobretudo às mulheres.
O documento referiu ainda que o clima e as catástrofes naturais têm maiores impactos na saúde das mulheres e das raparigas, apontando que capacitar as mulheres para assumirem maior controlo sobre as suas vidas pode ser a chave para alcançar a igualdade de género.
Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024 e 2025, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

