Quase metade dos mais de seis milhões de crianças moçambicanas vive em situação de pobreza multidimensional, num contexto marcado por elevados índices de uniões prematuras, trabalho infantil, desnutrição crónica e mortalidade infantil, alertaram nesta segunda-feira, 1 de Junho, autoridades governamentais por ocasião do Dia Internacional da Criança.
Dados divulgados em Maputo indicam que Moçambique continua entre os países da região com maiores taxas de mortalidade infantil, registando cerca de 67 mortes de crianças menores de cinco anos por cada mil nados-vivos, acima da média regional de 48 óbitos.
Falando durante as celebrações da data, a directora nacional da Criança no Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Angélica Magaia, afirmou que a pobreza multidimensional continua a afectar milhões de menores, com maior incidência nas províncias do Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia.
“Quase metade das mais de seis milhões de crianças moçambicanas vive em situação de pobreza multidimensional. As províncias mais afectadas são Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, que também apresentam elevada densidade populacional”, explicou.
A responsável apontou ainda a desnutrição crónica como um dos principais entraves ao desenvolvimento infantil, apesar dos progressos registados nos últimos anos, e manifestou preocupação com a persistência das uniões prematuras. “Temos ainda 48% das raparigas a viver em uniões prematuras. Isto significa que quase metade das raparigas do nosso País continua exposta a múltiplas formas de violência que comprometem o seu futuro”, afirmou.
Outro desafio destacado foi o trabalho infantil, fenómeno que continua a afectar milhares de menores. “Infelizmente, 16% das nossas crianças estão envolvidas em actividades laborais. Este é um problema muito grave”, sublinhou Angélica Magaia.
Apesar deste quadro, a dirigente destacou avanços no acesso à educação, referindo que cerca de 96% das crianças em idade escolar frequentam actualmente o sistema de ensino, graças à expansão da rede escolar e à melhoria das condições de aprendizagem.
Por sua vez, o secretário de Estado na cidade de Maputo, Vicente Joaquim, defendeu um maior envolvimento das famílias na educação e protecção das crianças. “Não deve ser apenas no Dia Internacional da Criança ou durante o mês de Junho. Devemos reflectir todos os dias sobre como garantir que as nossas crianças cresçam com saúde, segurança e bem-estar”, afirmou.
Também presente nas celebrações, a presidente do Parlamento Infantil da cidade de Maputo, Flávia Bila, apelou ao reforço dos mecanismos de protecção dos menores, alertando para o aumento de situações de risco envolvendo crianças. “Temos assistido a casos preocupantes de crianças em conflito com a lei e expostas a comportamentos de risco. É necessário redobrar os esforços para garantir a sua protecção e assegurar um futuro mais seguro para todas”, declarou.

